domingo, junho 14, 2009

Viagem & Conversa - Meus anos de chumbo também foram de ambrosia, o alimento dos deuses...


"Para não serdes os martirizados e escravos do tempo
embriagai-vos sem trégua
de vinho, de poesia ou de virtudes,
como achardes melhor."
Baudelaire

Remexendo meus guardados comprovo que escrevi intensivamente o que considero Meus poemas até os 23 anos. Depois disso, apenas esporadicamente para deixá-los de escrever faz tempo. Os mais recentes são do inicio da década de 90, quando meu coração e mente foram inundados pela luz de um forte trabalho terapêutico de grupo.

Em 1973 houve um recrusdecimento da ditadura militar sob a presidência do general Emílio Garrastazzu Médici. Presenciei sequestros e prisões de amigos meus, na Universidade de Brasília. Eu fazia Letras, mas já tinha um relacionamento bem próximo com a turma de Comunicação. Também vivia minha primeira paixão. Antes eu havia só gostado de alguns meninos. Daquela vez era pra valer e o relacionamento era bastante conturbado pelas minhas exigências, apegos e pela displicência, ousadia e coragem do outro.

Tudo que eu queria, naqueles tempos, era passar os dias na Universidade. Amava aquela Biblioteca de madeira em frente a então Reitoria, hoje Departamento de Educação. Se já mudou, a outra referência é o teatro Dois Candangos.

A Universidade era meu mundo. Era ali que eu queria estar. Tudo era novo, extraordinário e intenso, as alegrias, tristezas, medos. Mas eu tinha que sair de lá, todos os dias às 11h30, impreterivelmente, porque já trabalhava há quatro anos como professora primária. Não que eu não gostasse da profissão, mas ela me tirava de onde eu queria estar. E meus amigos, de então, podiam não ter dinheiro nem pra comer, mas tinham tempo para frequentar tudo o que acontecia à tarde na UnB ou no que lhe era praticamente extensão, como o Cine Brasília.

Lembro-me da minha primeira aula de Literatura Portuguesa com a professora Diana Fernandes, em março de 1970, que nos chegou com Fernando Pessoa. Outros professores nos apresentaram Cesário Verde, Anthero de Quental. O professor Antônio Salles Filho batucava ao nos mostrar o ritmo, a música do 'E agora José?' Riobaldo e Diadorim nos foram apresentados durante um semestre inteiro pela professora Aglaeda Facó. Eu amava tudo isso. Uma outra professora, chorava enquanto nos contava de sua vida em Paris. Tive esta sorte. Saudades!

No ano passado publiquei aqui neste Blog alguns dos meus poemas de então, que explicam parte do que sou hoje. Ontem, domingo, publiquei outros e assim farei até esgotá-los. Uma forma de compaixão, de extrema compreensão, pelo meu ser jovem.

Ilustração: O Monte Olimpo, Mitologia Grega

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