sábado, maio 23, 2009

São João Batista das Cachoeiras (MG) - Entre as montanhas do Sul



Neste sábado (23) seria aniversário de minha avó, Maria Amélia Honório da Silva, casada com Dante Favilla, mãe de meu pai, Dário. Dona Quinha, como era conhecida em Ouro Fino, lá não nasceu. Chegou à cidade já grandinha, vinda de Cachoeiras de Minas, que já se chamou São João Batista das Cachoeiras.

Quando me falavam dessa cidade era, para mim como se fosse de uma distância inatingível. Mas, graças àinternet, descobri que fica ali mesmo pelas redondezas, também no sul, mais pro sudeste de Minas. Cachoeiras de Minas tem, atualmente doze mil habitantes, e faz limite com Pouso Alegre, cidade referência também quando se quer localizar Ouro Fino no mapa.


O município é um dos maiores produtores do País de polvilho azedo do país, matéria prima do pão de queijo e de outros tipos de biscoitos, igualmente deciosos. Seu artesanato mantém a tradição do sabão de cinza e do crochê, e destaca-se pelos móveis e artefatos de cana-da-índia, vendidos para vários estados. A cidade promove durante o mês de julho a tradicional Festa da Fogueira de São Pedro, que atrai todos os anos milhares de visitantes. A fogueira, fiquei sabendo, tem cerca de 30 metros de altura.

Entre as atrações naturais destacam-se as serras Monte Belo e dos Machados e os rios que cercam o município, entre eles o Sapucaí que pode ser visto na foto abaixo, em plena cheia deste ano, com a cidade ao fundo.
O pai da Vó Quinha era tropeiro de profissão, levava gado de Minas para São Paulo.Tocava a boiada viajando com outros companheiros à cavalo e deve ter tocado muito berrante pela estradas mineiras e paulista afora...

Minha avó ficou orfã de pai muito cedo e a família foi cuidada pelo irmão mais velho Nenê Honório que veio a se casar apenas aos 50 anos. Este meu tio-avô foi resposável por muitas inovações. Foi dele o primeiro caminhãozinho Ford Bigode da cidade. Tio Nenê também transformou o quintal da mãe, minha bisavó Mariana, em oficina e fábrica de reparação e fabrico de autopeças. Sim, na década de 30, as peças de reposição de veículos eram feitas artesanalmente.

Depois da morte do Vô Dante, em 1964, em Ouro fino, Vó Quinha veio morar com a filha Lourdes em Brasília, mais precisamente na Metropolitana, um acampamento pioneiro, perto do Núcleo Bandeirante. Depois, mudou-se com a família de minha tia para a 413 Sul, onde morreu de uma queda, aos 78 anos. Nos últimos anos de vida, não enxergava quase nada devido à catarata em ambos os olhos, que não podia ser operada por serem muito frágeis suas condições de saúde. Mesmo assim, muito teimosa, não chamava ninguém quando precisa se locomover pelo apartamento. E numa dessas vezes...

Dona Maria Amélia, crocheteira de primeira, quitandeira, também fazia sabão de cinzas sabão de sebo de porco ou de vaca (gordura mais dura difícil de ser derretida e transformada em banha de se cozinhar). Sempre teve sua própria renda e chegou a ajudar financeiramente alguns dos filhos, já adultos e casados. Morreu em plena copa do mundo de 70. Também passou uns tempos conosco em Taguatinga. Mas como todo mundo saía para trabalhar ou estudar, não gostou muito de ficar conosco. Também reclamava que meu pai brigava demais com os filhos. Então, voltou para a casa da Tia Lourdes.

Um comentário:

  1. Clara Lúcia, você chegou a conhecer a nossa bisavó Mariana?Lembro-me dela aos 99 anos(seu último ano de vida).Sempre deitada na cana , pois já não tinha condições de ficar em pé...magrinha...(pele e osso)...eu gostava de ficar ao seu lado, passando a mão em suas veias azuis, que ressaltavam na pele branquinha...branquinha, parecendo um mapa cheio de rios e escutando ela falar coisas que eu não entendia. Também ia comprar vinho para a Vó Quinha e o Vô Dante almoçarem: o vinho era "Vinho Ferreira", uma garrafa e depois ia jogar no bicho para ela...Que saudade!!!Lágrimas...

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