que a casa avarandada protegiame os cachorros se aquietaram
submissos
à passagem dos fantasmas.
Aconteceste então
para que eu pudesse
dizer sim
a todos os medos dentro de mim
adormecidos
reconhecendo-me
fraca
criança e tola.
Andei pela casa toda
e eram mortos
os que amei.
Na sala
vazia de gente querida
a mesa posta
um jantar antigo
frio e intacto.
Acontecestes
para matar pequenas alegrias
o sorriso com que me recebiam
quando era de noite
e eu voltava para casa
para secar os vasos das flores
de todos os dias
para tirar a cor das cortinas
hoje inúteis
numa janela que ninguém debruça
para empoeirar a mobília da casa.
Hoje, apenas restos dos que amei
mãos, cabelos, sorrisos
tento lembrar, tento esquecer
exercício fugidio.
Calou-se, em mim, o badalar das horas
Sobrevivo ao inútil tique-taque dos segundos.
Junho de 1973
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