segunda-feira, junho 15, 2009

Viagem & Conversa - Janelas emperradas

As janelas do nosso primeiro apartamento próprio sequer fechavam. De madeira, estavam todas emperradas. Na foto, a da sala. Eram daquelas de vidraças que, quando abertas, se sustentam juntas, em cima, presas por mecanismos laterais chamados borboletas porque parecem ter duas asas. No inverno e verão, com chuva ou sol as janelas estavam sempre abertas, apenas protegidas por cortinas. Estávamos no terceiro andar de um prédio sem elevador e galhos de árvores entravam pelas janelas. Eu achava tudo bem bonito...

Minha mãe nunca gostou da idéia de ceder o apartamento da 406 Norte para que eu e Zé morássemos, depois de casados. Sabia que nunca lhe pagaríamos aluguel de mercado. E ela não queria perder dinheiro. Assim, eu e Zé logo começamos a procurar alguma coisa pra comprar. E meu pai até nos ajudou a dar entrada em um apartamento caindo aos pedaços na 408 Sul. Desses sem pilotis. Tinha três quartos, uma sala pequena,uma cozinha minúscula e um único banheiro.

Compramos bem barato e as prestações do financiamento cabiam tão bem no nosso orçamento que logo compramos um outro apartamento na 316 Norte, ainda na planta. Quando ficou pronto dois anos depois, vendemos o da 408 para pagar a prestação maior correspondente ao recebimento das chaves. A compra e a nossa mudança da 406 Norte foi apressada pelo casamento da minha prima Marta que já havia negociado com a minha mãe o aluguel do apartamento por bem mais que estávamos pagando.

Minha mãe suspirou aliviada, mas quando sua doença se agravou, disse-me que havia se arrependido de me ter feito mudar tão depressa. É que ficava bem difícil para mim, ir para Universidade (havia resolvido fazer um segundo curso, o de Jornalismo), trabalhar e lhe dar atenção. Muitas vezes saía da casa de meus pais lá pela meia-noite, quando a Vera chegava do trabalho. É que além de estar concluindo o curso de Medicina, também na UnB, ela dava aulas à noite.

Morar na 408 Sul ficava fora de mão para quem tinha a vida na Esplanada e na Asa Norte. Não havíamos ainda comprado nosso primeiro carro e meus irmãos tinham que me deixar em casa tarde da noite, quando eu não ia de taxi.

O apartamento era despencado demais. O piso tinha tacos soltos e faltando. Como não íamos reformá-lo porque queríamos logo partir para um novo, a solução foi comprar tapetes para cobrí-los. Na foto, Verinha e minha mãe num cantinho da minha sala. A mesinha branca era do conjunto de meus móveis de quarto. Em cima, um marmiteiro de vidro, presente de casamento da Helô, do qual não resta nenhum vestígio. Os quadros na parede foram pintados pela minha amiga Stela. Também não sei onde andam, se é que ainda andam por aí...

Verinha, eu e minha mãe, ainda com relativa saúde. À esquerda a garrafa térmica vermelha, presente que a Vó Ina me deu de casamento. Ela durou mais de dez anos.

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