Quando eu era criança, superfícies planas eram sempre com começo bem ali mesmo para se acabar um pouco mais adiante. O começo era na venda do Rafael Davini, no Jardim da Estação de Trem, à esquerda de quem vê a Rua 13, a partir da Wenceslau Brás. O fim, pouco depois da Estação, quando a rua se acaba numa outra que sobe em direção à Prefeitura, o Fórum, à Escola Normal.
Outro começo plano era o da esquina da Sorveteria do Ádio até um pouquinho depois do Éden Club, porque logo ali a Rua 13 vira descida.
De imenso, miragem que se multiplicava, só as montanhas que cercam nossa cidade, que cercavam nossas vidas. Basta a vista vencer o primeiro morro, para que outros, irmãos gêmeos, mais altos ou baixos, se sucedam num horizonte que sempre fica mais adiante...
Isso o que eu me lembro da minha infância: achava que morava perto demais do céu. Deitada na calçada, em frente à casa da minha Vó Ina, eu imaginava meu pai levando uma escada bem alta até o morro que começava bem ali mesmo, ao se atravessar a rua. Ele seguraria a escada com força para que não balançasse e eu subiria em segurança até o último degrau para alcançar a lua.
Então meu pai me disse que só uma escada, mesmo a mais alta de todas, não me faria alcançar o céu. Que por cima dessa escada seria preciso colocar outra e outra, mais outra e outra mais... Foi daí que me veio essa conformação de prestar atenção em tudo o que passa: morros... ribeirões, pastos, bois,boiadas, cercas... gente, postes... casas... calçadas...
O horizonte e por do sol em Ouro Fino são lindos demais...e quando no inverno a neblina cobre a cidade deixando somente o topo das casas aparecendo, com os raios de sol penetrando como fios dourados...é lindo demais!!!
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