
Esta singela casinha fecha a rua de um quarteirão só, a Wenceslau Brás, a mesma da casa da minha Vó Ina,onde nasci. Antes de ser construída, o que havia ali era um grande terreno baldio à beira do rio, onde as mulheres das casas da redondeza colocavam roupa para quarar ao sol. À noite, era neste terreno que brincávamos de pegar vagalumes...

A lateral da casa foi murado como proteção contra enchentes...

Aqui, onde existe esta ponte que permite passagem de veículos, era uma pinguela: apenas uma tábua grande de uma margem à outra do rio. O corrimão era de corda. Já moramos na ruazinha depois dessa ponte. Numa casa bem pequena, parecendo de boneca e que existe até hoje. Quase todas as tardes atravessávamos a pinguela para ir à casa da minha avó. Um verdadeiro terror para uma menina de apenas três anos, como eu. Minha mãe ia na frente com a Vera, ainda bebê, ao colo.

Já faz tempo que urbanizaram o grande terreno depois da ponte e construiram chalés para aluguel...

Esta é a última casa da Wenceslau Brás, à esquerda, antes de se chegar à ponte. havia uma outra bem menor, onde hoje está o quintal. Lá moravam duas irmãs que ganhavam a vida lavando e passando roupa para fora. Uma delas tinha uma filha que nunca andou ou falou. Vivia sobre um cobertor que cobria o piso cimentado, olhando a mãe trabalhar. Tinha duas maravilhosas tranças que lhe chegavam até á cintura e nunca foi à escola. Às vezes, minha avó me pedia que fosse à casa delas levar-lhes comida já pronta. Elas me recebiam agradecidas e diziam que minha avó estava na orações que faziam. Eu gostava de espiar as duas mulheres sempre trabalhando com pesados ferros de passar à brasa.

Este terreno que acaba no rio já foi muito mais bonito, cheio de árvores e grandes pedras. A casa da minha tia Gracy tinha como quintal parte deste terreno. Era o meu lugar preferido para fazer com meu primo Flávio esconderijos para nossos tesouros: cacos de vidro colorido, pedrinhas, tampas de garrafas. Nosssa diversão era passar um tempo sem ir lá e depois conferir se tudo estava como havíamos deixado.

Esta casa já fica do outro lado da ponte para quem vem da casa que foi da Vó Ina.
A casa acima, ao final da rua, faz parte de minha vida: pois ali passei grandes momentos de alegria com amigos e os donos da casa: Sr. José Montagnoli e a Vicenta, pais de Dom Mauro(bispo em Ilhéus), Marcos e Cida, amigos queridos...Muitas vezes ajudei nas enchentes ocorridas por lá...saudades(Amélio Favilla Jr.)
ResponderExcluirCompartilho seu sentimento Amélio. Saudades. Passamos muitos bons momentos nessa casa. As enchentes foram atenuadas se não resolvidas quando o Sr. Jose refez a base da casa tornando a mais alta.
ExcluirSim, me lembo bem da família Montagnoli. Gente do bem.
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